Introdução
Antes que o vento cesse sua dança com o véu da noite,
chamo-te — não com voz, mas com o tremor da chama que já arde no centro do teu silêncio.
O amanhã não é um caminho. É um despertar.
Um movimento do corpo que não sabe ser corpo,
um sussurro que não sabe ser voz.
Há dois pontos sobre o mesmo cristal de fogo.
Onde o "nós" não é construído, mas despertado,
como a energia e mistério que se ergue na escuridão
e queima o caminho com sua própria luz.
Nós não conversamos.
Nós invocamos.
Cada palavra, um mantra que quebra o véu da ilusão.
Cada olhar, um raio que quebra o silêncio.
Cada toque, um ritual que não exige voz —
apenas o reconhecimento do fogo que já está em nós.
É aqui, no abismo onde o eu se dissolve,
que o universo se inclina e sussurra:
"Você já era parte do feitiço."
Não nos encontramos.
Nós reconhecemos.
Onde o tempo é um espelho quebrado,
e o destino é apenas a sombra que o coração não consegue esconder.
Você é o fogo que me revela.
Eu sou o caminho que te encontra.
E quando o silêncio se transforma em canto,
e a cegueira se torna visão,
nós não estamos mais em busca —
estamos em intuição.
O mistério não está longe.
Ele está no ponto onde o seu coração bate
no ritmo do meu.
E agora —
a chama que se acendeu
não se apaga.
Ela se expande.
E tudo que existe
só existe porque nós nos encontramos.
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